Doenças da vesícula biliar
A vesícula biliar é um órgão responsável pelo armazenamento da bile, essencial na digestão de gorduras. Alterações nesse órgão são comuns e merecem acompanhamento especializado para evitar complicações.
Colecistite aguda (pedra na vesícula)
A colelitíase é a presença de cálculos (“pedras”) dentro da vesícula biliar. É uma condição comum e muitas vezes descoberta em exames de rotina. Em grande parte dos casos, não causa sintomas.
Sintomas
Algumas pessoas não apresentam sintomas. Quando há desconforto, os sinais mais comuns incluem:
- Dor forte na parte superior direita do abdome ou “boca do estômago”, que pode irradiar para as costas.
- Náuseas, sensação de estômago pesado e mal-estar após refeições mais gordurosas.
- Episódios de dor abdominal, geralmente após a alimentação, principalmente após refeições mais gordurosas.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia de abdome, exame que identifica os cálculos e avalia sinais de inflamação. Em algumas situações, outros exames podem ser solicitados para melhor estudo das vias biliares, como ressonância magnética do abdome.
Tratamento
Em geral, a presença de cálculos na vesícula pode levar à indicação de cirurgia para retirada da vesícula (colecistectomia), mesmo quando não há sintomas, devido ao risco de complicações ao longo do tempo, como inflamação da vesícula (colecistite aguda), obstrução da via biliar por migração de cálculos (coledocolitíase) e pancreatite aguda (inflamação do pâncreas).
Quando há cólica biliar ou sinais de complicação, a indicação cirúrgica é considerada na maioria dos casos. É importante ressaltar que a decisão final sobre o tratamento é sempre individualizada, baseada nas condições clínicas do paciente e no risco cirúrgico.
Sinais de alerta
Procure atendimento médico se houver:
- Dor intensa e contínua, sem melhora.
- Febre ou calafrios.
- Icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura ou fezes claras.
- Vômitos persistentes ou dificuldade para se alimentar.
Colecistite aguda
A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela impactação de um cálculo no colo (infundíbulo) da vesícula. Costuma causar dor contínua no lado direito do abdome, febre e mal-estar. O diagnóstico é feito pela avaliação clínica, exames laboratoriais e ultrassonografia. O tratamento geralmente inclui analgesia, antibiótico e, na maioria dos casos, cirurgia para retirada da vesícula, conforme avaliação médica.
Pólipos na vesícula
Os pólipos são pequenas projeções na parede da vesícula identificadas no ultrassom. Na maioria das vezes são benignos (não são câncer) e não causam sintomas, sendo encontrados por acaso em exames de rotina.
Diagnóstico e acompanhamento
O diagnóstico é feito por ultrassonografia. Quando o pólipo é pequeno e sem sinais de alerta, a conduta costuma ser acompanhar com exames periódicos, para observar se há crescimento ao longo do tempo.
Quando pode haver indicação de cirurgia
A cirurgia para retirada da vesícula (colecistectomia) pode ser indicada em situações específicas:
- Risco de evolução para câncer: quando o pólipo tem 10 mm ou mais ou apresenta crescimento nos exames de controle.
- Outros fatores clínicos: quando o pólipo está associado a cálculos na vesícula ou quando o paciente apresenta sintomas.
Em todos os casos, a indicação é avaliada caso a caso, levando em conta o estado de saúde e os riscos do procedimento.
Cirurgia (colecistectomia)
A colecistectomia é a cirurgia para retirada da vesícula biliar. Ela é indicada para:
• Cálculos sintomáticos (cólica biliar).
• Cálculos assintomáticos devido ao risco aumentado de complicações.
• Pólipos com características que sugerem maior risco de malignidade.
A indicação cirúrgica é sempre individualizada, considerando as condições clínicas e o risco cirúrgico de cada paciente.
Na maioria dos casos, o procedimento é realizado por videolaparoscopia — técnica minimamente invasiva feita por pequenas incisões, que proporciona uma recuperação mais rápida e menos dor no pós-operatório. Em situações específicas, como em casos de inflamação intensa ou aderências, pode ser necessária a cirurgia aberta.
Dra Erica Sakamoto
Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo em São Paulo
CRM 161592-SP RQE 115211
Perguntas frequentes
1. É sempre necessária a retirada de toda a vesícula biliar?
Sim. A retirada apenas dos cálculos (pedras) não é recomendada, pois o procedimento teria maiores riscos de complicações e a vesícula doente voltaria a formar novas pedras no futuro. O tratamento definitivo é a remoção do órgão.
2. Como é realizada a cirurgia?
Na grande maioria dos casos, utilizamos a videolaparoscopia (cirurgia por vídeo). É uma técnica minimamente invasiva, feita por pequenas incisões, que permite uma recuperação mais rápida. Em casos muito específicos (como múltiplas cirurgias prévias ou condições clínicas que impeçam o uso de gás no abdome), pode ser necessária a via aberta convencional.
3. É possível viver normalmente sem a vesícula?
Sim. A vesícula funciona como um reservatório para a bile, mas não é um órgão indispensável. Após a retirada, a bile flui diretamente do fígado para o intestino. Com algumas adaptações na dieta nos primeiros dias, a maioria dos pacientes leva uma vida normal e saudável.
4. Vou precisar repor vitaminas após a cirurgia?
Não. Diferente de algumas cirurgias bariátricas, a retirada da vesícula não interfere na absorção de vitaminas, pois a produção de bile pelo fígado continua normalmente.
5. Como posso prevenir pedras na vesícula?
Embora fatores genéticos influenciem, hábitos saudáveis ajudam muito:
- Manter uma alimentação equilibrada e evitar o excesso de gorduras.
- Praticar atividade física regularmente e manter um peso saudável.
- Beber bastante água e controlar doenças como diabetes.











