Câncer de Pâncreas
O câncer de pâncreas inclui diferentes tipos de tumores. O mais frequente é o adenocarcinoma ductal, que se origina nos ductos do pâncreas. Em muitos casos, os sintomas podem ser discretos no início, o que pode atrasar o diagnóstico. Por isso, quando há sinais de alerta, a investigação adequada faz diferença no planejamento do tratamento.
Além do adenocarcinoma, existem outros tipos, como:
- Tumores neuroendócrinos: menos comuns e, em geral, com comportamento mais lento.
- IPMN (neoplasia mucinosa papilar intraductal): lesões nos ductos pancreáticos que produzem muco e podem, em alguns casos, evoluir para câncer.
Sintomas / sinais de alerta
Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e também de acordo com a localização do tumor no pâncreas. Os mais comuns incluem:
- Icterícia: pele e olhos amarelados (pode vir com urina escura e fezes claras).
- Dor abdominal persistente: na parte superior do abdome, às vezes irradiando para as costas.
- Perda de peso sem explicação e diminuição do apetite.
- Alterações digestivas: diarreia ou fezes mais gordurosas (quando o pâncreas passa a produzir menos enzimas digestivas).
- Diabetes de início recente (especialmente quando surge “do nada”, sem outros fatores).
Em geral:
- Tumores na cabeça do pâncreas podem causar icterícia mais cedo.
- Tumores no corpo/cauda podem demorar mais para dar sinais claros.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito com exames de imagem e, quando indicado, biópsia. Os principais exames incluem:
• Tomografia computadorizada (TC): geralmente o exame inicial para avaliar o tumor e a relação com órgãos e vasos sanguíneos vizinhos.
• Ressonância magnética (RM): pode ajudar a detalhar melhor o pâncreas e as vias biliares.
• Ecoendoscopia (endoscopia com ultrassom): útil para avaliar tumores pequenos e, em alguns casos, coletar material para biópsia.
• CA 19-9 (marcador tumoral): pode ajudar no acompanhamento e na avaliação da resposta ao tratamento, mas não serve como exame isolado para confirmar ou descartar a doença.
Tratamento
O tratamento é individualizado e definido por equipe multidisciplinar, considerando tipo do tumor, estadiamento (extensão da doença) e condições clínicas do paciente. Pode incluir:
Cirurgia
A cirurgia pode ser indicada com intenção curativa quando há possibilidade de retirada completa do tumor. O procedimento tem como objetivo remover o tumor com margens adequadas e tratar os gânglios linfáticos (linfonodos) regionais. As principais cirurgias incluem:
- Cirurgia de Whipple (duodenopancreatectomia): indicada principalmente para tumores na cabeça do pâncreas. Nessa cirurgia, é retirada a parte do pâncreas onde está o tumor e estruturas próximas (como o duodeno e parte da via biliar). Depois, o cirurgião reconstrói o caminho do alimento e da bile para que a digestão volte a funcionar. É uma cirurgia de maior porte e deve ser realizada por equipe experiente, com planejamento individualizado e acompanhamento cuidadoso no pós-operatório.
- Pancreatectomia distal: indicada para tumores do corpo/cauda do pâncreas; em alguns casos, inclui retirada do baço.
- Pancreatectomia total: reservada para casos específicos onde há um comprometimento mais extenso do órgão.
Quimioterapia
O tratamento quimioterápico pode ser aplicado em dois momentos principais:
- Antes da cirurgia (neoadjuvante): com o objetivo de reduzir o tumor e aumentar as chances de uma remoção completa.
- Após a cirurgia (adjuvante): para eliminar células residuais e diminuir o risco de a doença retornar.
Tratamento para alívio de sintomas (paliativo)
Quando a doença não pode ser retirada completamente, o tratamento tem como foco controlar a progressão e aliviar sintomas.
Pode incluir:
- Quimioterapia sistêmica.
- Colocação de prótese (stent) na via biliar: para aliviar icterícia quando há obstrução.
- Procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos de desvio (derivações): em casos de obstrução do estômago/duodeno, para melhorar alimentação e sintomas.
Perguntas frequentes
1. Por que o câncer de pâncreas é considerado difícil de detectar?
Porque o pâncreas fica localizado profundamente no abdome e, muitas vezes, os sintomas aparecem apenas quando o tumor já está maior ou afetando estruturas vizinhas. Por isso, é importante atenção a sinais como pele e olhos amarelados (icterícia), dor abdominal persistente e perda de peso sem explicação. Na presença desses sintomas, é recomendado procurar avaliação médica.
2. Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia é indicada quando o tumor está localizado e não envolve vasos sanguíneos principais, nem há comprometimento de órgãos distantes (metástases). O objetivo é remover completamente a lesão para oferecer a melhor chance de controle da doença.
3. É possível operar por vídeolaparoscopia ou robótica?
Sim. Em casos selecionados, especialmente para tumores no corpo ou na cauda do pâncreas, a via minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica) pode ser uma ótima opção, com benefícios como menor dor e recuperação mais rápida. Já casos mais complexos na cabeça do pâncreas ainda podem exigir a via aberta tradicional.
4. O que é o tratamento paliativo?
É o cuidado focado em aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida quando a cura não é mais possível. Isso inclui o controle da dor, desobstrução de canais biliares e suporte nutricional, permitindo que o paciente viva com mais conforto.
5. O exame de sangue CA 19-9 serve para diagnóstico?
Não de forma isolada. O CA 19-9 é um marcador que pode estar elevado no câncer de pâncreas, mas também em condições benignas. Ele é muito útil para acompanhar a resposta ao tratamento, mas o diagnóstico e o planejamento dependem de exames de imagem (como tomografia ou ressonância) e, em alguns casos, de biópsia.
Dra Erica Sakamoto
Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo em São Paulo
CRM 161592-SP RQE 115211











