Câncer de Esôfago
O câncer de esôfago é um tumor que se desenvolve na parede do esôfago (o “tubo” que leva o alimento da boca até o estômago). Em muitos casos, os sintomas são discretos no início, e por isso os sinais de alerta merecem avaliação.
Principais tipos e fatores de risco
1) Adenocarcinoma
Geralmente surge na parte mais baixa do esôfago, próximo ao estômago. Está mais associado a:
- Refluxo gastroesofágico de longa data e esôfago de Barrett (alteração da mucosa causada pelo refluxo)
- Obesidade
2) Carcinoma de células escamosas (epidermoide)
Pode ocorrer em diferentes partes do esôfago. Está mais associado a:
- Tabagismo
- Álcool
Sintomas / sinais de alerta
No início, os sintomas podem ser discretos. Com o tempo, podem ficar mais evidentes. Os mais comuns incluem:
- Dificuldade para engolir (disfagia): geralmente começa com alimentos sólidos e pode evoluir para alimentos pastosos e líquidos.
- Sensação de alimento “parado” ou entalado ao engolir.
- Regurgitação de alimentos: o alimento pode “voltar” logo após engolir, porque não consegue descer adequadamente.
- Perda de peso sem explicação.
- Dor ou desconforto ao engolir (odinofagia) e/ou sensação de queimação no peito.
- Rouquidão ou tosse persistente em alguns casos.
Diagnóstico
- O diagnóstico é feito por exames e confirmado por endoscopia digestiva alta com biópsia. Depois, exames complementares ajudam a definir a extensão da doença (estadiamento) e planejar o tratamento. Entre os principais:
- Tomografia computadorizada (TC): avalia a extensão da doença e a presença de linfonodos aumentados ou metástases.
- PET-CT: pode ser solicitado para complementar o estadiamento e avaliar doença em outras regiões do corpo.
- Ecoendoscopia (endoscopia com ultrassom): especialmente útil em tumores precoces, para avaliar a profundidade do tumor na parede do esôfago e os linfonodos próximos.
- Broncoscopia (quando indicada): pode ser solicitada em tumores mais próximos das vias aéreas, para avaliar possível comprometimento.
Tratamento
O tratamento é individualizado e definido por equipe multidisciplinar, considerando tipo do tumor, localização, estadiamento (extensão da doença) e condições clínicas do paciente. Pode incluir:
- Cirurgia: quando há possibilidade de retirada completa do tumor e a doença está localizada.
- Quimioterapia e/ou radioterapia: podem ser indicadas antes e/ou depois da cirurgia, dependendo do estágio e do plano terapêutico.
- Quimiorradioterapia definitiva (quimioterapia + radioterapia): em alguns casos, pode ser o tratamento principal com intenção curativa, sem cirurgia.
- Tratamento paliativo em casos avançados: para controle da doença e alívio de sintomas, quando não é possível remover completamente o tumor
Cirurgia (Esofagectomia)
Quando indicada com intenção curativa, a cirurgia do câncer de esôfago é chamada esofagectomia, que consiste na remoção parcial ou total do esôfago, junto com linfonodos da região (gânglios linfáticos), para tratamento adequado da doença.
Após a retirada do segmento acometido, é necessário reconstruir o caminho do alimento. Na maioria dos casos, o estômago é “puxado” e ligado ao esôfago remanescente (reconstrução com o estômago). Em situações selecionadas, pode ser necessário usar um segmento do intestino para essa reconstrução.
A técnica e a via de acesso (aberta, laparoscópica ou robótica) dependem da localização do tumor, do estadiamento e das condições clínicas do paciente.
Tratamento para alívio de sintomas
(paliativo)
Quando não é possível remover completamente o tumor, o tratamento tem como foco controlar a doença e aliviar sintomas, com prioridade para a qualidade de vida. Pode incluir:
- Tratamento sistêmico (geralmente quimioterapia): para controle da doença.
- Radioterapia: pode ajudar no controle local e na melhora de sintomas.
- Prótese (stent) no esôfago: para facilitar a passagem de alimentos quando há estreitamento/obstrução, quando indicado.
- Suporte nutricional: em casos selecionados, pode ser necessária sonda nasoenteral ou uma via de alimentação, como gastrostomia ou jejunostomia, para manter a nutrição
Perguntas frequentes
1. Quais os principais fatores de risco para o câncer de esôfago?
O refluxo crônico e não tratado pode aumentar o risco de câncer de esôfago. Em alguns pacientes, ele leva ao Esôfago de Barrett, uma alteração na mucosa com risco maior de evoluir para câncer ao longo do tempo. Por isso, tratar adequadamente o refluxo e, quando indicado, fazer acompanhamento endoscópico são medidas importantes de prevenção e detecção precoce.
2. Quais são os sintomas iniciais do câncer de esôfago?
O sinal mais clássico é a disfagia (dificuldade para engolir), que geralmente começa com alimentos sólidos e progride para líquidos, acompanhada de perda de peso.
3. Quando a cirurgia é indicada no câncer de esôfago?
Chamada de esofagectomia, consiste na retirada do esôfago e a reconstrução do trajeto alimentar, geralmente usando o próprio estômago. Pode ser feita por técnicas minimamente invasivas em casos selecionados.
4. A colocação de prótese esofágica elimina a necessidade de cirurgia?
Ela é indicada para aliviar a disfagia (dificuldade de engolir), ajudando o paciente a se alimentar melhor. Em geral, é usada quando a doença não é candidata à cirurgia curativa ou como parte do cuidado paliativo, sempre conforme avaliação da equipe médica.
5. Existe rastreamento para o câncer de esôfago?
Não há um rastreamento para toda a população, mas pacientes com Esôfago de Barrett ou refluxo grave de longa data devem fazer endoscopias periódicas para detectar qualquer alteração precocemente.
Dra Erica Sakamoto
Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo em São Paulo
CRM 161592-SP RQE 115211











